O Iate Clube do Rio de Janeiro tem, com certeza, a maior concentração de velejadores e navegadores de todo tipo e de todo lugar.
Encontrei muita gente por lá. Ivan Cherques, brasileiro que mora na França, representante da Plastimo para a América do Sul, tem muitas milhagens nas costas e várias travessias na bagagem. Alex que é uma referência lá na França, no que diz respeito a regatas oceânicas e serviços de delivery, além de Filezinho, Eduardo Magriça Couto. Encontrei também o Edu Penido com seu novo barco o Moya.
Depois de alguns retoques e manutenção preventiva no Moleque, depois de jantar com meu amigo Ricardo Montenegro e sua esposa Analécia, na última segunda-feira (dia 11 de maio) do Rio de Janeiro, sai bem cedo na manhã do dia seguinte, terça, por volta das 7h, com navegação rumo 270°, Oeste, direto a Santos, passando por dentro do Canal de São Sebastião – Ilhabela, com o Sol nascendo exatamente na popa.
A previsão era de calmaria, mas preciso aproveitar essas pequenas janelas, devido a enorme quantidade de frentes fria de Sul. Não deu outra, peguei calmaria até Santos.
No través da Ilha Grande, região de Angra dos Reis chamou-me atenção a quantidade de aviões naquela região. Cheguei a contar mais de dez de uma só vez. Ali tem um portão de passagem obrigatório para as aeronaves que vem de todo o Brasil e dobram para os aeroportos mais importantes, o Congonhas e o Guarulhos em São Paulo.
Depois de uma noite mal dormida, devido a aproximação de terra na passagem pelo canal de Ilhabela às 5h da madrugada, o metabolismo do velejador solitário, muda completamente. A gente passa a ter fome nas horas erradas, e não sente sede. Um perigo para desidratação, por isso a gente tem que se forçar a beber água toda hora.
Hoje o Projeto Rota Norte completou 1.000 dias desde a saída de Floripa e já percorreu 4.235 milhas pelo litoral Brasileiro, passando por lugares como Porto Belo, Balneário Camboriú, Itajaí, São Francisco do Sul, Joinville, Paranaguá, Guaraqueçaba, Canal do Varadouro, Cananéia, Santos, Bertioga, As Ilhas, São Sebastião, Ilhabela, Paraty, Angra dos Reis, Ilha Grande, Rio de Janeiro, Niterói, Cabo Frio, Vitória, Abrolhos, Caravelas, Cumuruxatiba, Salvador, Aratu, Recife, Fernando de Noronha, além de La Rochelle, Lisboa, Canárias, Cabo Verde, na travessia do Atlântico.
Como toda essa milhagem, o Moleque já ganhou, de presente, todas as velas novas, todos os cabos, adriças e escotas novas, tanques de água novos, remodelagem na targa, leme reserva, vaso sanitário novo, novas ferragens do leme e cana de leme, piloto automático novo, dog hause novo, reforma no bimini, capa de vela grande nova, rastreador via satélite, rastreador via celular, equipamentos obrigatórios de salvatagem novos. É quase um barco novo. Toda essa manutenção era necessária para que o barco continuasse velejando em segurança.
Osvaldo Hoffmann, cujo livro terminei de ler a pouco dias, fala várias vezes sobre uma coisa que dou razão a ele: "Velejar de 0ceano, é a maneira mais cara de viajar de 3ª classe". O livro dele é Retratos da Viagem
Antes mesmo de entrar no canal de Ilhabela, aproveitei para dar uma conectada na Internet. Assim que entrei para ligar o computador, senti uma freada brusca do barco, com um grande barulho, como se estivesse abalroado algum outro barco. Levei um susto e pulei de volta ao cockpit e me deparei com um pesqueiro a alguns metros a boreste. Não bati no barco, mas fui pescado pela rede dele.
Não posso me esquecer da última vez que entrei no Porto de Santos com o Moleque. Leiam Diário de Bordo – Cananéia a Santos do dia 21/11/2006 - http://www.marcelogusmao.com.br/index.php?cod=207
Mando algumas fotos que não consegui tirar aquele dia.
Foto 1 – Sol nascendo em Ilhabela
Foto 2 – Ilha da Moela – Guarujá
Foto 3 – Convés do Moleque
Foto 4 – Clube de Pesca de Santos
Foto 5 – Entrada do Canal do Porto de Santos
Foto 6 – Forte dos Andrada – entrada do Canal do Porto de Santos
Foto 7 - Canal
Também incluo neste diário um email que recebi de um amigo, José Barreto que me mandou anexo fotos do artigo que leu:
Prezado Gusmão, Boa Noite!
Estive ''passeando'' pelo seu site e achei fantásticas as fotos e o Diário de
Bordo - e quero lhe parabenizar pelo seu projeto de levar material escolar às pessoas
carentes, enquanto mantém também o contato com a realidade desse Brasil de tantos lugares esquecidos.
Você, Gusmão é um verdadeiro Velas Sem Fronteiras, que leva material escolar assim como já é feito na Europa. Mando pra você uma artigo de uma revista que você pode anexar ao seu Diário de Bordo para mostrar que, o que você faz aqui ''solo'', é feito no exterior por um grupo imenso de velejadores, como diz no artigo da Revista Velejar e Meio Ambiente número 32.
Espero ainda um dia, quem sabe, soltar também as minhas amarras e sair por esta costa brasileira, fazendo algo que reverta em beneficio nem que seja de uns poucos. Já me sentirei realizado - Um forte abraço .
Bons ventos J.Barreto (Repulse571).