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Publicado por gusmao em 03/11/2008  
XX REFENO - Regata Internacional Recife - Noronha

Além de velejar, tenho o compromisso de escrever para vocês. Mas desculpe se às vezes eu demoro, porque só agora arrumei um tempinho para terminar nosso diário de bordo sobre a XX Refeno – Regata Internacional Recife/Fernando de Noronha. Esta demora se deve aos compromissos profissionais, familiares, esportivos, além de problemas na conexão com a Internet que me obrigaram a ficar "longe" do nosso site.

Então aproveito esta minha volta ao site para contar tudo que ocorreu entre Recife, Noronha e Recife. A Largada da XX Refeno foi no marco zero do Porto de Recife e foi divida em três etapas: a primeira largada foi às 13hs. Na saída do porto do Recife navegávamos em segundo lugar. Somente o Aysso, barco da família Schurman, estava na nossa frente quando entramos no mar aberto aproveitando um vento que variava de 15 a 20 nós, vindos do quadrante sudeste. Optamos por uma veleja mediana-regular, nem tanto ao mar e nem tanto a terra. Andamos sempre a três ou quatro milhas a barlavento do nosso rumo à Fernando de Noronha.

Nossa disputa foi contra barcos da classe dos 30/34 pés de Cruzeiro, mas conosco, largaram os barcos de Aço. Depois de ouvir várias histórias sobre a quebra de leme dos Velamar 29, resolvi levar um leme reserva no Moleque. Conversei com a maioria dos proprietários de Velamar 29 e descobri que o Moleque era um de poucos que ainda não quebrara o leme e nem a ferragem do leme. Como nesta viagem até Recife, o Moleque não se afastou mais que 50 milhas da costa, mas desta vez ao competir na XX Refeno, como faríamos uma travessia de 300 milhas, achei pertinente levar um reserva. Nosso leme é "fora de borda" * e assim um leme reserva estava pronto para qualquer emergência.

Dito e feito! Na segunda-feira à noite, faltando 70 milhas para arribar em Noronha, bem na hora do meu "quarto"*, escutei dois grandes estalos. Era a ferragem de baixo do leme cedendo ao esforço e ao tempo. Com ela foram-se, também, os parafusos da ferragem do casco, de cima. Se não fosse isto teríamos feito uma troca de leme sem nenhuma perda de tempo, mas navegando e tendo que colocar três parafusos com mar mexido, dentro do paiol de popa, num espaço que mal cabia a mão, foi uma tarefa difícil. Perdemos aproximadamente 1h30ms de regata, além de termos derivado duas milhas para sotavento, devido à forte maré de Sul para Norte.

Por causa disso e navegando mais lento, nas últimas 70 milhas e com receio do leme reservam um pouco menor e menos eficiente terminamos a regada em quarto lugar, a 1h14ms do primeiro lugar. Eu só tenho que dar os parabéns a bravíssima tripulação do Moleque, que pela primeira vez, neste Projeto Rota Norte, contou com tripulação composta por: João Vicente da Dahuer, leia-se Anasol, Odilon Barreto dos Santos, Leandro Ries, e René de Negreiros.

Em Noronha escutei da parte de vários comandantes e velejadores, que alguns barcos ligaram o motor durante o trajeto. Assim sugiro aos organizadores que tomem providencias em relação a este assunto. Isso tira toda a credibilidade do evento e é anti-desportivo. É como trapacear para levar vantagem.

Como é bom rever a ilha de Fernando de Noronha, que é realmente maravilhosa!!! Desta vez mergulhei em lugares conhecidos e foi como tudo parecesse novidade. Aproveitei e fiz uma caminhada de 4hs, pela parte leste da Ilha, desde o Porto na baia de Santo Antonio até a Praia da Atalaia, aproveitando para mergulhar em piscinas naturais deixadas pela maré baixa.

Participaram da XX Refeno, o C&L Esporte a Vela, um Delta 32, comandado por Cíntia Knoth e Lula – Luiz Evangelista. A C&L – Escola de Vela com sede na Marina da Glória no Rio de Janeiro, participou pela terceira vez consecutiva, levando seus alunos para aulas de navegação, marinharia e regata, literalmente na prática e ainda por cima faturaram o primeiro lugar na Classe Rgs "C", contra muitas feras do iatismo Brasileiro. Parabéns Cíntia e Lula pelo trabalho. Eu sei o quanto custa. Esses são feras! Para saber mais informações sobre a C&L, seus programas de treinamento e cursos, acessem http://clvela@clvela.com.br e para saber mais sobre a XX Refeno, acesse: http://www.refeno.com.br/2008/br/home.

Sobre a etapa do Rota Norte, fizemos nada menos que 1.000 milhas e agora o Moleque descansa em Recife, para daqui a pouco rumarmos ao Sul, de volta pra casa. Mas queira aproveitar para dizer que recebi da minha amiga, Maristela Guimarães Brites, graciosamente chamada de Jade pelo meu irmão, Dudu, o texto abaixo que li, gostei, e dou de graça a vocês:

"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final... 
Se insistirmos em permanecer nela, mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. 
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. 

Foi despedida do trabalho?

Terminou uma relação?

Deixou a casa dos pais?

Partiu para viver em outro país?

A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?          Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu...

Pode dizer para si mesmo, que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.  
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. 

* Quarto – Plantão

* Fora de Borda – Leme externo, preso por ferragens parecidas com um monotipo.

Detalhes

01 - A "Família Aventura", representada pela Heloisa Schurmann participou comigo de várias ações sociais pela cidade de Recife – vou detalhar no próximo diário.

02 - O Iate Clube de Santa Catarina teve participação em massa na XX Refeno. Estiveram por lá além do Moleque: Gosto d'água, Talismã, Bulimundu, Samurai Ni, Guga Buy e o Taouhiri. Está na hora de fazermos mais um convênio com o pessoal do Nordeste. Adiantei o assunto apresentando o vice-comodoro do Cabanga Iate Clube de Pernanbuco, Dr. Ronald, ao Inácio, ao Wandressen, comodoro do ICSC.

03 - Encontrei lá por Noronha o barco "On the rocks", do saudoso amigo, Gilles Le Bris, que com novo batismo anda fazendo "chartes" por Noronha.

04 - Izabel Pimentel foi minha vizinha nas preparações para a Refeno. Seu filho "Petit", um gato, seu novo companheiro de travessias, amanhecia todos os dias a bordo do Moleque. Dia desses amanheceu dormindo com o Odilon que gostou e adorou as carícias do bichano.

Bons ventos e até a próxima

Gusmão

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